“Até o fim deste ano, vou alfabetizar todos os meus alunos”

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Esta é a turminha do 1º ano da Professora Patrícia Santos da Paixão, da Escola Municipal Colina do Mar em Salvador. Ela iniciou o trabalho em março com 30 alunos, onde 50% da turma estava no nível pré-silábico, 30% eram silábicos sem valor sonoro, 15% silábicos com valor sonoro e 5% silábico-alfabéticos. São normalmente filhos de pais com baixa escolaridade e têm pouco acesso a materiais escritos.  “Mas agora é diferente! Nós dispomos da Coleção Cidade Educadora. Na infância, os contos infantis eram refúgio para todos os meus conflitos emocionais. Hoje, como professora,  acho importante ler para as crianças e despertar nelas o interesse pela leitura. Textos de qualidade, como as histórias apresentadas nesta Coleção, aproximam a família e proporcionam momentos muito agradáveis. Estes livros estão num  verdadeiro vai e vem. Vai para casa, volta para escola, e vai e vem… !” Declarou a professora Patrícia.

No dia em que os alunos trazem os livros de volta para a classe, ela organiza uma roda de conversa e até quem não está alfabetizado conta a história para os colegas, como se estivesse lendo. “A criança que lê sem estar alfabética não está brincando de faz-de-conta. Ela está se apoiando na experiência do professor e no conhecimento da postura de quem lê”, explicou a Professora. Ou seja, imita um gesto porque já sabe que faz sentido e é parte do aprendizado.

Fazem parte da prática da Professora Patrícia ao menos quatro situações essenciais: a professora organiza a turma em uma roda e faz a leitura em voz alta de diferentes tipos de textos (histórias, contos, notícias, receitas, cartas e  etc.); a leitura de textos reais pelos que ainda estão tentando ler, confrontando os alunos com listas (de nomes, frutas, brinquedos etc.), e textos que eles conhecem de cor , como cantigas, parlendas e trava-línguas, propondo que neles eles encontrem palavras ou “leiam” trechos (antes mesmo de estar alfabetizados); a escrita feita pelos que ainda estão aprendendo o sistema alfabético, propondo que as crianças escrevam textos memorizados ou de listas que podem ser escritos com lápis e papel ou com o alfabeto móvel que foi recortado do encarte do Livro Amarelo da Coleção Cidade Educadora; e a produção de texto oral com destino escrito, quando os alunos criam oralmente um texto num gênero específico,  ditam e ela escreve no quadro, é condição didática para a atividade os alunos conhecerem o gênero, mesmo sem saber definir, as crianças sabem diferenciá-los.

Momentos de leitura e escrita individuais também fazem parte do planejamento da Professora Patrícia porque é necessário que cada aluno tenha espaço para desenvolver as próprias idéias. Isso acontece, por exemplo, no Cantinho da Leitura, que a turma freqüenta diariamente, nos intervalos entre as atividades ou nos momentos especialmente destinado a isso. É nesse espaço que ficam reunidos materiais como, jornais, revistas, folhetos de propaganda, enciclopédias, dicionários, os Livros de Histórias e Ideias e o Diário de Bordo da Coleção Cidade Educadora que eles podem levar para casa com a recomendação de ler com os familiares.

A Professora patrícia não inventou nenhum método revolucionário. Muito do que essa professora apaixonada faz está descrito nos Indicadores de Qualidade na Educação – Ensino e Aprendizagem da Leitura e da Escrita, elaborados pelo Ministério da Educação, pela Ação Educativa e por outras entidades ligadas a alfabetização. O documento defende que os estudantes tenham contato com as diferentes tipologias textuais, ouçam histórias diariamente e observem adultos lendo e escrevendo, e que as escolas ofereçam uma rotina de trabalho variada e os professores sejam permanentes incentivadores. No que depender da Pró Paty, como é carinhosamente chamada, todos os itens estão contemplados.

Com conhecimento teórico, uma prática planejada e muita dedicação, ela vem cumprido sua missão, fazendo com que seus alunos avancem. E ao final deste primeiro semestre, são 33 alunos -  na rede municipal ainda é permitido matrículas- na seguinte situação: 50% silábico-alfabéticos,  25% alfabéticos, 20% silábicos com valor sonoro e 5% silábicos sem valor sonoro. “Meus alunos podem e vão aprender. Meu compromisso é chegar a dezembro com todos os meus alunos alfabetizados. Eu trabalho para que isso aconteça”. Enfatizou a Professora Patrícia.

Ser Agente Local do Programa Cidade Educadora é fazer parte desse mundo de contos e encanto, de sonhos e realidade, é vivenciar, é compartilhar, é acreditar, é ter esperanças, é viver e sonhar: “Livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”.  Já disse Mário Quintana.

 Ilma Ferreira de Brito Lima

Agente Local do Programa Cidade Educadora em Salvador