Reflexões sobre o fazer do agente pedagógico…
Andar pelo Subúrbio Ferroviário de Salvador tem nos mostrado muito mais do que ouvimos falar e esperávamos ver numa região periférica. Isso porque o exercício diário de observar e contribuir com a prática de docentes soteropolitanos nos tem feito compreender a dimensão da responsabilidade de formação in loco que está sobre os ombros do Agente Pedagógico, e que, independente de região geográfica ou situação financeira, a profissionalização é de suma importância na carreira docente, pois como já afirmou Freire (1996, p. 92): “O professor que não leve a sério sua formação, que não estude que não se esforce para estar à altura de sua tarefa, não tem força moral para coordenar as atividades de sua classe”.
Quem transita pelo Subúrbio de Salvador não precisa de muito para perceber o quanto a região fala da sua própria história, e a educação da suburbana constrói um contexto próprio, mas não isolado e dissociado da educação construída nas demais regiões da capital baiana, esta forma peculiar de educar nos remete a Pimenta (2006, p.47) dizendo que: “(…)a pedagogia é a ciência da prática. Aí está a sua especificidade. Ela não se constrói como discurso sobre a educação. Mas a partir da prática dos educadores tomada como referência para a construção dos saberes no confronto com saberes teóricos. Pelo processo de reflexão dessa prática como prática social histórica tomada como totalidade.”
Esta reflexão nos possibilita compreender o misto profissional e empírico que permeia o fazer docente da região, nos abrindo o olhar para a responsabilidade de respeitar a práxis desenvolvida neste lugar e buscar possibilidades de enriquecimento pedagógico, sem ferir esta peculiaridade.
O comportamento e atitude resistente e resiliente dos professores diante da cultura hodierna que cultua o ter em detrimento do ser, e oferece cultos ao corpo e a sexualidade, ao passo em que caminhamos para o aperfeiçoamento de um sistema violento que parece não ter mais fim, nos faz refletir sobre o hiato que se instala entre a educação da atualidade em relação à educação de outrora.
Falamos de um professorado que respeita o seu educando concernente aos seus quereres e fazeres, mas que não é conivente com a violência avassaladora que insiste em arrastar os jovens do subúrbio para a margem. Falamos de um professorado que busca uma cultura que, segundo Eagleton (2005, p. 18): “[...] tinha a ver com valores, em vez de preços; com moral em vez de material; com elevado, em vez de filisteu. [...] Era o lugar onde o erótico e o simbólico, o ético e o mitológico, o sensorial e o emocional podiam fazer sua morada dentro de uma ordem social que dispunha cada vez menos tempo para qualquer um deles.”
Nesta perspectiva, compreendemos que ser Agente Pedagógico no Subúrbio de Salvador, assim como em qualquer região da capital baiana, é estar assumindo um desafio, e, para tanto, é preciso não somente estar ciente da realidade e do contexto, mas, sobretudo, estar preparado.
Hilmara Santos
Agente Pedagógica do Programa Cidade Educadora – Salvador










Curitiba: Rua Lamenha Lins, 1709 - Rebouças - Fone/Fax: (41) 3213-3500