Avaliação: inquietação recorrente na educação
Conforme destacou Antoni Zabala [1], “(…) diferentes países e grupos de educadores mais inquietos se propõem formas de entender a avaliação que não se limitam à valoração dos resultados obtidos pelos alunos” , sabemos que as discussões e reflexões em torno da avaliação continuam acaloradas em todos os ambientes físicos, sociais e virtuais mobilizados pela educação.
Atualmente, com os resultados apresentados por sistemas de avaliação como Prova Brasil, Pisa e sistemas privados de avaliações – as chamadas avaliações institucionais – a questão adquire proporções e provoca inquietações ainda maiores.
Mesmo com essa preocupação, que inevitavelmente está voltada para resultados – muitas vezes insatisfatórios –, o foco da avaliação precisa, essencialmente, contribuir para uma melhoria considerável da educação em nosso país, ou seja, dever ser uma estratégia significativa, entre outras, para favorecer qualitativamente (e por conseqüência quantitativamente) a educação, o processo ensino–aprendizagem, a auto-estima e a autonomia moral e intelectual de professores e alunos.
Nesse sentido, uma avaliação coerente com as considerações expostas deve promover reflexão tanto por parte dos alunos sobre seu processo de aprendizagem, numa perspectiva de metacognição [2], quanto dos professores (bem como das escolas, redes de ensino e demais atores desse processo) sobre a ação pedagógica, adequando-a principalmente em termos de estratégias de aprendizagem, e considerando cada aluno como único, em um processo em que todos os elementos devem ser avaliados e regulados.
Portanto, a avaliação não pode ser excludente, uniformizadora e simplesmente seletiva e, sim, por seu caráter inquietador, geradora de novas aprendizagens. Deve partir, por exemplo, dos próprios indicadores apresentados pelos sistemas de avaliação, para não apenas levar os alunos a buscar recuperar a “nota”, mas professores e escola a recuperar a aprendizagem [3].
—
[1] ZABALA, Antoni. A prática educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998. p. 195.
[2] Segundo Flavell, metacognição é a capacidade dos indivíduos de monitorar e regular os próprios processos cognitivos.
[3] Idéia destacada por Celso Vasconcelos em Avaliar para crescer. Nova Escola on-line/ dez 2000.

Curitiba: Rua Lamenha Lins, 1709 - Rebouças - Fone/Fax: (41) 3213-3500